Compreenda a biopsicologia


A biopsicologia é uma metodologia que tem por objetivo se utilizar tanto de técnicas ancestrais orientais (yoga, ayurveda, meditação) quanto de evidências científicas atuais (neurobiologia). Principalmente para ajudar o ser humano a lidar com suas emoções.

Sua idealizadora, a Dra. Susan Andrews, após ter estudado por muitos anos a psicologia ocidental nas universidades mais renomadas dos Estados Unidos, foi à Índia buscar conhecimento nas tradições milenares. Nesse tempo conheceu seu mestre yogui, Sri Sri Anandamurti, e passou a se dedicar ao estudo do Tantra Yoga.

Ao longo de anos de estudo percebeu que, apesar das teorias orientais e ocidentais sobre o ser humano e seus comportamentos trazerem abordagens bastante distintas, elas não eram, de forma alguma, excludentes. Desde então, a professora e pesquisadora passou a interconectar a abordagem da psicologia - principalmente a transpessoal - com o Tantra Yoga. Em suas pesquisas estavam presentes também os mais recentes estudos da medicina, biologia, física quântica e química. Ficou muito claro que existe uma relação direta entre as descobertas empíricas dos yoguis e as evidências científicas modernas.

Uma das relações mais reveladoras foram os efeitos emocionais ativados pelos hormônios produzidos pelas glândulas endócrinas com o que os yoguis chamam de chakras e vrttis (chakra: centros de energia, e vritts: frequências, ondas). Há mais de 5 mil anos eles listaram as diferentes emoções e suas localizações no corpo sutil. Nas descobertas contemporâneas verificou-se, através de equipamentos de alta tecnologia, que as reações emocionais são provenientes dos hormônios secretados pelas glândulas, que estão localizadas exatamente na região de cada chakra. Percebeu-se que a localização informada pelos yoguis, por exemplo, da frequência vibracional da raiva, estava na mesma área do corpo em que as suprarrenais liberam os hormônios endorfina e cortisol, justamente a química relacionada a este sentimento.

Cadastre-se aqui e conheça uma oportunidade de aplicar estes conhecimentos em sua vida.

Relação corpo-mente

A Alostase é o processo do organismo para retomar seu ritmo natural após um evento de estresse. Atualmente, em virtude de diversos fatores, dentre eles a hiperestimulação dos sentidos, a competitividade, etc., muitas pessoas sofrem uma sobrecarga alostática. Este desequilíbrio nada mais é do que um estresse contínuo, que traz diversas reações nocivas para saúde integral do ser.

A curto prazo:

- Aumento da pressão arterial, frequência cardíaca e respiratória

- Tensão muscular e da mandíbula

- Diminuição das secreções digestivas

- Desregulação da resposta imunológica e inflamatória

- Inibição sono, apetite e libido

- Desregulação da resposta ao estresse

Efeitos crônicos:

- Redução da serotonina – mais depressão, ansiedade, irritabilidade

- Destruição do hipocampo, prejudicando a memória; Alzheimer

- Infertilidade

- Fadiga crônica, enxaqueca

- Imunodepressão

- Hipertensão e doenças cardiovasculares

- Diabetes

Automaestria emocional

Os yoguis desenvolveram técnicas de transformação, ativação e desativação das frequências energéticas geradas pelo nosso corpo que são chamadas emoções. Tornaram-se eles mestres de seus sentimentos. Quando, ao contrário, somos servis àquilo que sentimos, ou seja, quando as emoções são dirigentes de nossas reações, agimos de forma inconsciente, como animais irracionais. Com isso, podemos causar os danos apresentados acima, além de prejudicar nossas relações. A ciência hoje está comprovando a eficácia destas técnicas tanto para prevenir estes problemas quanto para recuperar estados patológicos causados pelo desequilíbrio emocional recorrente.

Meditação, respiração consciente, posturas corporais, relaxamentos induzidos, vocalização de sons, entre outras técnicas, trabalham nossa mente estimulando áreas cerebrais, eliminando toxinas, massageando glândulas e regulando a produção de hormônios.

Uma descoberta recente importante para nosso equilíbrio é a chamada “vitamina verde”. Foi comprovado que estar em espaços na natureza reduzem estresse e depressão. Plantas em casa melhoram a memória e aumentam a criatividade. “A repressão de nosso inconsciente ecológico é a causa mais profunda da insanidade coletiva que assola a sociedade industrial”, disse o historiador Theordore Roszak.

O que já se tinha consciência há 5 mil anos é de que o meio ambiente, nossos pensamentos, emoções, nossas relações interpessoais e a forma como alimentamos nossos sentidos estão inter-relacionados. Houve um momento na história da humanidade em que, para se estudar com mais profundidade o ser humano, ele foi sendo dividido em partes cada vez menores. Muitas revelações importantíssimas foram descobertas a partir desta fragmentação. Porém, agora está se percebendo novamente a importância da reintegração, visto que o ser não é divido, nem separado da natureza.

A mente, inclusive a memória, está presente não só em nosso cérebro, como se acreditava algum tempo atrás, mas em nosso DNA, ou seja, em todas as células do corpo. Se ficamos tristes, nosso fígado, nossa pele, nosso coração ficam tristes, assim como quando estamos em estados de alegria, todo corpo está alegre. A relação corpo-mente analisada sob ponto de vista atual é mais que comprovada. Sabe-se que a maior parte das doenças é gerada pelos hábitos. Comportamentos mentais (crenças) que geram vícios emocionais (hormônios) e consequente desequilíbrios físicos (respiratórios, posturais, etc.).

Na visão fragmentada do ser, trataremos a postura com um fisioterapeuta, a regulação de hormônios com um endocrinologista e as crenças com um psicólogo ou coaching. Mas será que essas três áreas não deveriam conversar entre elas?

Ayurveda

A milenar medicina ayurvedica, uma das áreas de estudo da Biopsicologia, nos remete a esta integração. Primeiro quando trata cada ser humano com um ser único e, portanto, não generaliza suas recomendações. Depois, por considerar as circunstâncias externas: estação do ano, temperatura da cidade onde se vive, tipo de alimentação, estímulos auditivos, etc; e internas (densas e sutis): limpeza dos órgãos, emoções recorrentes, sonhos, etc.

Ansiedade, raiva, tristeza, entre outras emoções, quando vivenciadas recorrentemente são imunodepressoras. Por outro lado, compaixão, esperança, afeto, são potencializadoras de nosso sistema imunológico. Essa medicina nos ensina técnicas, por exemplo, para sentirmos mais compaixão e menos ansiedade.

Um filme interessante para quem quer conhecer mais sobre essa ciência:

Teoria do cérebro trino

Uma descoberta bastante interessante que foi relacionada com a anatomia sutil é a teoria do cérebro trino. Elaborada por Paul Mclean, na década de 70, ela nos apresenta três regiões cerebrais que foram desenvolvidas ao longo da evolução da espécie. A primeira parte, presente em répteis. Por isso seu nome é “cérebro reptiliano”. Ele tem o poder de nos proteger e está relacionado com os reflexos de luta/fuga, instinto presente em toda espécie viva. O segundo cérebro é chamado de “límbico”. Está presente nos mamíferos e coordena nossas emoções. A partir dele que se tem a noção de família, proteção da espécie, afeto, entre outras. E o terceiro cérebro é o neocortex, responsável pela racionalidade, sentidos, criatividade. É esse cérebro que nos diferencia dos demais animais.

Veja este vídeo sobre a relação entre os cérebros racional e emocional:

Amígdalas cerebrais

Tratam-se de duas pequenas estruturas do sistema nervoso, porém é enorme sua relação com as emoções. Elas registram nossos primeiros estados emocionais. Ficam prontas no corpo humano antes mesmo do hipocampo, região responsável pela memória cognitiva. Por isso algumas vezes temos traumas que são praticamente impossíveis de serem acessados pela nossa recordação mental, pois remetem a coisas que nos aconteceram no início da vida, antes mesmo de termos desenvolvido a capacidade de registrar lembranças, como por exemplo na concepção, gestação, parto e primeiros dias de vida.

As amígdalas cerebrais são responsável também pelo alarme de perigo, que gera respostas rápidas frente a agentes estressores. Se nos deparamos com um animal selvagem que não estiver enjaulado, é a amígdala que ativará todo sistema físico de luta/fuga. Portanto é fundamental para nossa autopreservação.

Humanos que tiveram que retirar essa região cerebral perderam o sentido afetivo e de percepção de informações externas, como a visão de uma pessoa conhecida. Ela sabe quem é mas não sabe se gosta ou desgosta daquela pessoa. Portanto, ela está ligada também a nossas atividades emocionais.

Meditação

Pesquisas atuais revelam ainda que a meditação regular altera a comunicação entre os três cérebros. As amígdalas têm seu tamanho reduzido (e consequentemente suas reações emocionais inconscientes também diminuem) após oito semanas de mindfullness, uma técnica budista. Considera-se para isto a prática diária de pelo menos 20 minutos de meditação.

Alguns hospitais de ponta no Brasil e no mundo já incluíram a meditação como uma prática para auxiliar no tratamento de diversas doenças. Neste link podemos encontrar os 100 principais estudos somente relacionados com a meditação transcendental: http://bit.ly/1QoxvJ6

A meditação é uma porta para conexão com nossos corpos mais sutis. Através dela acessamos nossas capacidades latentes, ativamos a intuição, nos tornamos mais coerentes, com maior discernimento, compaixão e vivenciamos maior paz em nosso dia a dia. Inúmeras são as técnicas que visam nos conduzir a um estado meditativo. Importante, porém, é identificarmos qual delas é mais adequada para nosso estilo e momento de vida. Pessoas mais agitadas que nunca meditaram passivamente (postura clássica, sentado de pernas cruzadas) dificilmente conseguirão achar uma boa ideia ir a um encontro de meditação ou um retiro, por exemplo. A prática ainda está muito vinculada com a experiência passiva. Porém, se ela entender que no retiro as pessoas cantam e dançam, caminham na natureza, tomam banho de rio e que tudo isso faz parte do processo de aquietamento interno, esta mesma pessoa pode ser a maior adepta! :)

Uma das descobertas mais promissoras é relacionada a neuroplasticidade cerebral. Podemos nos reprogramar, trocar nossos “cabos” e reparar regiões danificadas. Descobriu-se que o lobo pré-frontal esquerdo é a sede principal da felicidade. Pessoas com alto grau de emoções positivas tem uma maior atividade nessa região do cérebro. Ao contrário, pessoas com uma atividade maior no lobo pré-frontal direito são sempre mais agitadas, nervosas, tristes e angustiadas. Mas podemos mudar isso.

Em 2003 Richard Davidson, um dos maiores pesquisadores do mundo sobre neoroplastia, fez um estudo com funcionários de uma grande empresa, ou seja, pessoas ocidentais e de hábitos regulares. Antes do estudo esses funcionários exibiam alta atividade no lobo frontal direito do cérebro. Após seis semanas de meditação, aumentou-se significativamente a atividade do lobo frontal esquerdo dos mesmos. Todos afirmaram se sentir mais felizes, com maior entusiasmo pela vida e pelo trabalho.

Tantra

Aqui nos deparamos com um nome bastante polêmico e controverso em função de sua desvirtuação ao longo dos séculos. Esse nome há algum tempo foi relacionado com sexualidade e muito bem vendido dessa forma. O sexo tântrico chamou a atenção de muitas pessoas prometendo orgasmos múltiplos e horas de intercurso. Prazer maior para mulheres, cura de ejaculação precoce, entre outras maravilhas relacionadas ao ato sexual. Acontece que o tantra, em sua origem, nada tem a ver diretamente com isto. É um caminho de conscientização da unidade, assim como o yoga. Visa integrar o ser, aceita o ser humano e a existência em sua totalidade. Não discrimina o feio do bonito. Utiliza em sua prática a sensorialidade. É uma prática nascida em um povo matriarcal, não repressor. Em função disso, o sexo era tratado de uma forma muito mais sagrada, sem preconceitos e com o toque feminino. Pode ser uma forma de aceleração da evolução da consciência a sexualidade consciente (maithuna), porém jamais foi o objetivo.

Para descrever de forma simplificada as características do tantra, usaremos o material do curso de biopsicologia. Nele constam as seguintes características:

- Iniciação e discipulado com um adepto qualificado (guru);

- Crença de que mente e matéria são manifestações de uma realidade espiritual superior, que é a nossa sempre presente verdadeira natureza;

- Entendimento que a realidade espiritual (nirvana) não é algo distinto do reino empírico da existência (samsara), porém inerente a ele;

- Objetivo de atingir a iluminação/libertação por meio do despertar do poder espiritual (kundalini) adormecido no corpo/mente humano;

- Crença da que nascemos muitas vezes, e que o ciclo será interrompido apenas no momento da iluminação, e que a corrente de renascimentos é determinada pela qualidade moral de nossas vidas através da ação do karma;

- Ênfase na experiência de primeira mão e experimentação, em vez de confiar no conhecimento de terceiros.

Em uma vasta bibliografia sobre o tema encontraremos diversas abordagens para o Tantra. O que é mais importante para A Escola das Emoções é a noção de que devemos aceitar e acolher tudo que passa em nós, seja considerado bom/ruim, feio/bonito, adequado/inadequado, visto que se deixarmos de nos compreender como somos, jamais respeitaremos o modo do outro. E o que somos é perfeito da forma que é, seja para o agora, seja para nossa evolução. Tantra, dentre outros significados, quer dizer teia, rede, trama de um tecido. Essas traduções estão diretamente relacionadas com a física quântica, que considera que tudo está relacionado. "Assim como é em cima, assim é embaixo. Assim como é dentro, assim é fora." (Hermes Trismegistus)


Destaques
Posts recentes
Arquivo
Palavras-chave
Nenhum tag.